A comemoração dos 20 anos do Electrão
2025 foi o ano de comemoração do aniversário dos 20 anos do Electrão, assinalado com um conjunto de iniciativas, de que se destacou a cerimónia no Convento do Beato, em Lisboa, a 26 de Setembro.
Este foi um momento de celebração e reconhecimento em que o Electrão evocou o passado e o contributo de todos aqueles que ajudaram a construir a associação. A comemoração envolveu parceiros da reciclagem e logística, municípios, empresas produtoras e associadas, mas também a Administração, os órgãos sociais do Electrão e outros stakeholders.
E porque a arte e a intervenção cultural têm um papel importante na sensibilização ambiental o Electrão, por ocasião do seu aniversário, convidou o artista de arte urbana Godmess a dar cor a uma empena da Rua de Santa Apolónia, em articulação com o Gabinete de Arte Urbana da Câmara Municipal de Lisboa e Festival MURO.
“Nada se perde, tudo se transforma”, serviu de mote para a criação de um mural - tributo à circularidade e à sustentabilidade - valores que o Electrão defende há 20 anos.
Em 2025 Electrão lançou documentário sobre reciclagem
“Para onde vai a reciclagem?” é título do documentário apresentado pelo Electrão em 2025, no ano em que assinalou 20 anos de actividade. A produção, que estreou na RTP 2 a 28 de Setembro, continua disponível na RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p15612/para-onde-vai-a-reciclagem
O filme dá a conhecer os grandes desafios associados à reciclagem de embalagens, pilhas e equipamentos eléctricos usados - três fluxos geridos pelo Electrão que, em 2024, passou também a participar no sistema de gestão de plásticos de uso único.
O documentário, produzido pelo Electrão, foi realizado pela Plural, com direcção de Margarida Moura Guedes e a colaboração da jornalista Isabel Lindim. A produção inclui testemunhos de diversos intervenientes da cadeia de valor: operadores, académicos, ambientalistas, autoridades e representantes da administração central. A locução é da atriz Inês Castel-Branco.
Com este documentário o Electrão pretende contribuir para uma mudança de comportamentos e reforçar a importância do envolvimento de todos no cumprimento das metas de recolha e reciclagem a que o país está obrigado. O documentário ilustra o percurso dos resíduos que são encaminhados correctamente e revela o que se perde quando isso não acontece. Foca de forma clara o impacto das escolhas dos cidadãos de forma a evidenciar a necessidade de responsabilização individual na protecção da saúde e do ambiente.
O primeiro ano de um novo ciclo de licenças
O ano de 2025 ficou marcado pelo arranque de um novo ciclo de licenças, a 10 anos, atribuídas ao Electrão para a gestão de três fluxos específicos de resíduos: equipamentos eléctricos e electrónicos; pilhas e baterias e embalagens.
No âmbito do sistema de reciclagem de equipamentos eléctricos e electrónicos perspectivam-se mudanças, mas apenas a médio prazo, na medida em que este é um fluxo em crescimento com um leque cada vez mais amplo de produtos.
Já no que se refere ao sistema de reciclagem de pilhas e baterias as alterações registadas são relevantes e surgem em linha com as directrizes do regulamento de baterias que estabeleceu novos subsistemas. Além das baterias portáteis e industriais, o Electrão passará a gerir também as baterias de meios ligeiros de transporte e de veículos eléctricos. Excluída do sistema, para já, ficou a categoria de baterias de arranque.
A licença para a gestão de embalagens foi renovada e como novidade há a registar o alargamento de âmbito às embalagens não urbanas e de grandes produtores, tal como previsto no regulamento de embalagens.
Ainda em relação a 2025 destaca-se o início da actividade da ÚNICO - Associação para a Gestão de Plásticos de Uso Único, vocacionada para a gestão de fim de vida de produtos de tabaco, em que o Electrão também participa.
Electrão perto de cumprir meta dos eléctricos apesar dos constrangimentos operacionais
Em 2025 o Electrão alcançou um marco histórico ao recolher e enviar para reciclagem mais de 45 mil toneladas de equipamentos eléctricos usados, o valor mais elevado desde que a associação foi criada.
A meta estipulada para o Electrão era de 47 mil toneladas e ficou perto de ser cumprida apesar dos fortes constrangimentos operacionais registados ao longo do ano, nomeadamente a insuficiente capacidade de tratamento instalada em operadores nacionais e os atrasos na emissão de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos.
As recolhas próprias assumiram novamente um papel determinante e representaram 84% do total enviado para reciclagem registando uma trajectória de crescimento que quase triplicou desde 2019. O reforço da rede de recolha foi uma das chaves deste crescimento. Existem actualmente mais de 15 mil locais onde o cidadão pode depositar os seus equipamentos fora de uso, que estão referenciados em www.ondereciclar.pt.
Para os resultados globais foi determinante o contributo dos parceiros operacionais, distribuição, mas também de campanhas que o Electrão desenvolve, como o Quartel Electrão, a Escola Electrão e a recolha de grandes electrodomésticos Porta-a-Porta, já disponível em 14 concelhos. Esta última campanha é uma das faces mais visíveis do combate ao mercado paralelo, que continua a desviar do circuito formal muitos equipamentos eléctricos, impedindo que sejam reciclados de acordo com as melhores práticas, de forma a salvaguardar a protecção da saúde pública e do ambiente.
A campanha “Atrasados Ambientais” e o atraso na reciclagem de embalagens
O ano de 2025 ficou marcado pelo lançamento da campanha “Atrasados Ambientais”, que trouxe um “choque de realidade” e alertou para o atraso de Portugal na reciclagem de embalagens. Esta campanha multimeios — presente em televisão, rádio, digital e mupis — trouxe um tom de urgência necessário para mobilizar os cidadãos para gestos diários que fazem a diferença. No contexto europeu, Portugal surge em 21º lugar no ranking da taxa de reciclagem, abaixo da média da União Europeia, de acordo com os dados do Eurostat.
Em 2025 os números da reciclagem de embalagens não deixaram margem para dúvidas e confirmaram o pior cenário: Portugal falhou a meta de 2025 de 65% e está longe de atingir os 70% que têm que ser alcançados em 2030.
A reciclagem de embalagens está a avançar de forma lenta face àquilo que o país necessita para cumprir os objectivos europeus e assegurar uma redução real da pressão sobre os aterros, que se encontram hoje próximos do limite de capacidade.
Em 2025, as embalagens enviadas para reciclagem pelo sistema nacional totalizaram 532 mil toneladas, um aumento de apenas 3% face às 518 mil toneladas recuperadas em 2024. Já o Electrão encaminhou para reciclagem, no âmbito do sistema que gere, um total de 65 844 toneladas em 2025, registando um aumento de 9% face a 2024, ano em que retomou 59 964 toneladas.