Preview 2026

Descubra quais os temas e tendências que vão estar em destaque em 2026.
No Electrão, estamos sempre de olhos postos no futuro para prever tendências, antecipar desafios e criar novas soluções para melhorar a recolha, encaminhamento e tratamento dos resíduos que gerimos.

Novos fluxos de resíduos: a expansão da responsabilidade alargada do produtor

O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos pelo Electrão permite responder de forma integrada às necessidades crescentes das empresas, num contexto em que a gestão do fim de vida dos produtos se tornou parte incontornável das suas obrigações.

A evolução do enquadramento regulatório europeu e nacional tem vindo a reforçar a responsabilidade alargada do produtor, exigindo uma participação cada vez mais activa das empresas na recolha, reciclagem e financiamento de novos sistemas. Esta transformação é essencial para que o país consiga acelerar o desvio de resíduos de aterro, garantir a valorização dos materiais e impulsionar a reciclagem.

Entre os desafios mais evidentes está a gestão do fluxo emergente de têxteis e de mobiliário e colchões — áreas em que muitos municípios já garantem a recolha, mas ainda sem sistemas estruturados.

O Electrão tem acompanhado de perto os desenvolvimentos nestas áreas e a experiência acumulada permite-lhe contribuir para soluções tecnicamente robustas, alinhadas com as melhores práticas europeias e ajustadas às especificidades do contexto nacional.

O Electrão está por isso preparado para apoiar o país na criação dos novos sistemas de recolha e reciclagem que se avizinham e que serão determinantes para reduzir a pressão sobre os aterros e aumentar as taxas de recuperação dos materiais.

 

Ecomodulação: complexidade redobrada para as empresas

Em 2026 entrará finalmente em vigor, em Portugal, o sistema de ecomodulação. Este novo enquadramento regulamentar passa a relacionar directamente o valor das prestações financeiras pagas pelos produtores com o desempenho ambiental das embalagens que colocam no mercado.

O Electrão tem mantido uma posição crítica em relação à aplicação de qualquer modelo de ecomodulação que não resulte de um alinhamento europeu, já que considera que é nesse contexto que devem ser discutidas as questões ligadas ao ecodesign e ao desempenho ambiental dos produtos.

Com a implementação da ecomodulação, os produtores de equipamentos eléctricos, pilhas e baterias ou embalagens enfrentarão novos encargos administrativos e um processo mais complexo para identificar e declarar as características ambientais dos seus produtos, inseridas em grelhas de análise cada vez mais detalhadas. Este esforço poderá traduzir-se na obtenção de um desconto que poderá situar-se entre 8% e 10% da prestação financeira aplicável.

Trata‑se de um mecanismo exigente e potencialmente oneroso, com o risco de originar diferenças significativas na forma como cada entidade gestora interpreta e operacionaliza o modelo. Essa disparidade poderá criar desequilíbrios concorrenciais entre empresas produtoras. Ainda assim, o Electrão será, como sempre, um parceiro comprometido com os objectivos definidos pela Administração e apoiará as empresas aderentes na implementação deste processo declarativo da forma mais eficaz possível.

Desbloquear o mercado europeu para o tratamento de resíduos

A União Europeia está a avançar com várias iniciativas no âmbito da economia circular que visam reduzir obstáculos ainda existentes no funcionamento do mercado interno, especialmente no sector da gestão de resíduos. Apesar dos progressos alcançados, continuam a verificar‑se barreiras administrativas e operacionais entre Estados‑Membros que dificultam a circulação de resíduos destinados a valorização e reciclagem.

O envio de resíduos além-fronteiras dentro da própria União Europeia continua a enfrentar processos administrativos morosos e custos elevados, que penalizam países com menor capacidade instalada de tratamento — como Portugal — e que, por isso, dependem da possibilidade de encaminhar determinados fluxos para unidades especializadas no estrangeiro.

Paradoxalmente, este tipo de constrangimento contraria o próprio princípio do mercado único, que deveria permitir uma circulação mais fluida de materiais destinados à reciclagem, promovendo eficiência económica e ambiental.

Em alguns casos, determinados resíduos não são reconhecidos de forma harmonizada como recursos circulares em todos os Estados‑Membros, gerando fragmentação regulatória.

Face a este cenário, a eliminação das barreiras ainda existentes e a harmonização efetiva das regras aplicáveis aos resíduos surgem como passos fundamentais para reforçar a competitividade do sector, aumentar a capacidade de reciclagem a nível europeu e acelerar a transição para uma economia circular plena.

Sistema de depósito e retorno: um desafio para a gestão de embalagens

Em Abril de 2026 algumas tipologias de embalagens — nomeadamente as garrafas de plástico para bebidas até três litros e as latas de alumínio ou aço — passaram a estar abrangidas pelo novo sistema nacional de depósito e reembolso de embalagens de bebidas com a marca “Volta”.

O sistema introduz um mecanismo simples: por cada garrafa ou lata adquirida o consumidor paga um depósito de 0,10 euros, valor que é integralmente devolvido quando a embalagem é entregue num ponto de recolha. A devolução pode ser feita em máquinas instaladas em supermercados ou em pontos de recolha manual.  O reembolso pode ser obtido através de um talão convertível em dinheiro ou descontos em compras, por via digital, através de cartões de fidelização, soluções eletrónicas ou ainda através da doação do valor a instituições.

Pretende-se que o sistema possa contribuir para cumprir as metas europeias de recolha selectiva de embalagens de bebidas de utilização única até três litros, fixadas em 90% até 2029. A trajectória nacional prevê taxas entre 40% e 70% no primeiro ano, 80% em 2027 e o cumprimento do objectivo europeu no final da década. Ao mesmo tempo este sistema permitirá assegurar um fluxo de materiais de elevada qualidade e com níveis muito reduzidos de contaminação.

Para as entidades gestoras de embalagens, como o Electrão, esta novidade traz desafios já que alguns aderentes terão que declarar conjuntamente. Será um ano de transição em que será possível perceber de que forma o consumidor irá responder a este repto.

Metas obrigatórias para incorporação de plástico reciclado

As metas obrigatórias de incorporação de plástico reciclado, previstas no Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR), representam um novo e exigente patamar para o sector das embalagens, que já opera num contexto de crescente complexidade regulatória.

Estas metas transformam aquilo que era, até agora, uma opção estratégica de natureza económica ou ambiental numa obrigação legal de cumprimento universal.

A implementação destas metas terá impacto directo na procura de materiais reciclados, sobretudo de PET reciclado, cuja disponibilidade se torna crítica num mercado já altamente pressionado. Os mercados dos plásticos reciclados caracterizam‑se por uma volatilidade significativa, influenciada por factores como o preço do plástico virgem, a qualidade e quantidade dos resíduos recolhidos e a capacidade instalada de reciclagem.

Para entidades gestoras como o Electrão, este novo enquadramento regulatório implica também um papel acrescido no apoio às empresas aderentes, na monitorização do mercado e na promoção de sistemas de recolha que assegurem a disponibilidade de materiais recicláveis de alta qualidade.

Sistema de incentivos para equipamentos eléctricos usados

O Electrão tem vindo a acompanhar com atenção a evolução dos instrumentos de incentivo à entrega de equipamentos eléctricos em fim de vida, reconhecendo o seu potencial para aumentar as taxas de recolha e reciclagem e para combater o desvio de resíduos para circuitos informais. A criação de mecanismos que premeiem o comportamento correcto dos cidadãos representa uma oportunidade para reforçar o vínculo entre consumidores, distribuidores e o sistema formal de gestão de resíduos.

Os equipamentos eléctricos e electrónicos integram materiais valiosos e, em alguns casos, críticos para a indústria europeia. A recuperação eficaz destes recursos depende, em grande medida, da capacidade de captar mais equipamentos no final do ciclo de vida, evitando a sua dispersão em fluxos indiferenciados ou em canais paralelos. Sistemas de incentivo — financeiros, em vales de desconto ou através de outras compensações — podem desempenhar um papel determinante neste processo, encorajando a devolução atempada dos produtos e promovendo comportamentos ambientalmente responsáveis.

O Electrão está preparado para apoiar este caminho, contribuindo com a sua experiência operacional e com o conhecimento acumulado na gestão de equipamentos eléctricos usados. A criação de um sistema de incentivos bem estruturado poderá representar um avanço importante no aumento das taxas de recolha, na valorização de materiais estratégicos e na consolidação de um modelo de economia verdadeiramente circular em Portugal.

Prevenir o risco de incêndio associado a pilhas e baterias de iões de lítio

Em 2025 as baterias provenientes de veículos eléctricos e de meios de mobilidade ligeira representaram cerca de 1% do total de pilhas e baterias recolhido pelo Electrão, num volume que atingiu 23,3 toneladas. Embora este fluxo ainda tenha um peso reduzido no conjunto dos resíduos geridos, evidencia a rápida evolução dos padrões de mobilidade urbana e antecipa um crescimento significativo nos próximos anos.

A crescente presença de pilhas e baterias de iões de lítio no quotidiano — de trotinetes a bicicletas eléctricas, smartphones, ferramentas ou sistemas de armazenamento de energia — torna particularmente relevante a promoção de boas práticas de deposição e tratamento.

Estes equipamentos, quando danificados, perfurados, expostos ao calor ou descartados de forma inadequada, representam um risco real de incêndio e até de explosão. As ocorrências registadas em diversos países têm demonstrado a necessidade de reforçar medidas preventivas ao longo de toda a cadeia de valor.

A sensibilização dos cidadãos e outros agentes para o manuseamento e entrega destes equipamentos é, por isso, fundamental. Para o Electrão, este é um eixo estratégico crescente, que exige investimento contínuo em formação, logística especializada e comunicação. À medida que a mobilidade eléctrica se expande, a prevenção de riscos associados às baterias torna-se não apenas uma responsabilidade ambiental, mas também um requisito essencial para garantir a segurança de todos.

O papel crescente da reciclagem na estratégia europeia

Num contexto internacional particularmente instável, a reciclagem tem vindo a assumir uma relevância reforçada nas prioridades estratégicas da União Europeia. A capacidade de recuperar materiais essenciais, muitos deles indisponíveis em território europeu, tornou o sector da gestão de resíduos um aliado fundamental para garantir a autonomia e resiliência industrial do continente.

Entre estes materiais estão recursos críticos utilizados no fabrico de equipamentos eléctricos e electrónicos — um fluxo que ganha importância acrescida à medida que aumentam as necessidades tecnológicas e energéticas das economias modernas. A recuperação eficiente destes elementos já integra metas específicas definidas a nível europeu, colocando o sector da recolha e reciclagem numa posição central para o seu cumprimento.

Neste quadro, torna‑se evidente que uma estratégia assente exclusivamente na recolha selectiva já não é suficiente. Apesar de duas décadas de investimentos constantes em sensibilização e infraestruturas, continuam a existir quantidades significativas de materiais críticos perdidos no fluxo indiferenciado. Para que a Europa possa avançar no caminho da autosuficiência material, será indispensável reforçar a recuperação a partir desse fluxo, articulando os esforços entre entidades gestoras, operadores e tecnologia para identificar, extrair e valorizar estes recursos.

BESS: O desafio de financiar o fim de vida na era do armazenamento de energia

O crescimento dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS – Battery Energy Storage Systems) é fundamental para apoiar a integração de energias renováveis e aumentar a flexibilidade do sistema elétrico. No entanto, estes sistemas colocam desafios relevantes aos modelos de Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP), especialmente no que diz respeito ao seu financiamento.

As BESS, frequentemente baseadas em baterias de iões de lítio, têm uma vida útil significativa, mas ainda incerta em muitos casos, dependendo do uso, ciclos de carga e condições operacionais. Este fator dificulta a previsão do momento em que se tornarão resíduos e, consequentemente, a estimativa dos custos futuros de recolha, tratamento e reciclagem. Além disso, tratam-se de equipamentos complexos, com riscos associados (como inflamabilidade), o que implica processos de gestão mais exigentes e dispendiosos.

Os modelos tradicionais de financiamento dos sistemas de RAP, baseados numa lógica de “pay as you sell”, mostram-se insuficientes neste contexto. Tal como nos painéis fotovoltaicos, existe um desfasamento entre o momento da colocação no mercado e o momento em que surgem os custos reais. À medida que o mercado das BESS cresce rapidamente, existe o risco de, no futuro, haver grandes volumes de resíduos sem financiamento adequado, especialmente se alguns produtores deixarem de operar — originando os chamados “produtos órfãos”.

Acresce que o setor das BESS é altamente dinâmico e global, com múltiplos intervenientes e cadeias de valor complexas, o que dificulta a definição clara de responsabilidades e a cobrança eficaz de contribuições. Neste contexto, torna-se essencial evoluir de um modelo de “pay as you sell” para um sistema de acumulação de reservas. A constituição de fundos ao longo da vida útil dos equipamentos permite assegurar que os recursos financeiros estarão disponíveis quando os sistemas atingirem o fim de vida. Este modelo promove uma maior estabilidade financeira, reduz o risco associado a produtores órfãos e garante uma repartição mais justa dos custos ao longo do tempo.

Energia solar fotovoltaica: O desafio do crescimento a longo prazo para a RAP 

O crescimento da energia solar fotovoltaica é essencial para a transição energética, mas levanta desafios significativos para os sistemas de Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP), sobretudo no seu financiamento.

Os painéis fotovoltaicos têm uma longa vida útil (20–30 anos), o que cria um desfasamento entre a sua colocação no mercado e os custos do seu fim de vida. Os modelos tradicionais de financiamento, baseados numa lógica de “pay as you sell” — em que as contribuições dos produtores financiam os custos correntes — revelam-se inadequados neste contexto. Isto porque os resíduos ainda são reduzidos hoje, mas irão aumentar significativamente no futuro, quando muitos dos produtores já não estarão no mercado.

Este risco é agravado pela possibilidade de “produtores órfãos” e pela falta de adaptação dos sistemas de RAP às especificidades dos painéis, o que pode aumentar os custos de recolha e tratamento. Assim, confiar apenas num modelo corrente pode comprometer a sustentabilidade financeira do sistema a médio e longo prazo.

Neste contexto, torna-se essencial evoluir para um modelo de acumulação de reservas, em que as contribuições dos produtores são parcialmente canalizadas para fundos que assegurem o financiamento futuro da gestão dos resíduos. Este modelo permite alinhar melhor os encargos com o momento em que os custos efetivamente ocorrem, garantindo maior estabilidade financeira e equidade intergeracional.

Em suma, a transição de um sistema “pay as you sell” para um sistema baseado na constituição de reservas é crucial para assegurar a viabilidade dos sistemas de RAP aplicados aos painéis fotovoltaicos e garantir a sustentabilidade da energia solar ao longo de todo o seu ciclo de vida.

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